Eu inspirada sou um carma ambulante, moradora do mundo da lua, reclusa em mim mesma, nadando em pensamentos dos mais diversos.
Se chegasse em uma lanchonete qualquer e o garçom, mal-humorado, perguntasse o que eu queria, diria:
— Um café. Mas bem doce, porquê de amargo já chega a vida. Isso é para agora. Amanhã eu quero um mundo novo, porque esse passou da validade. Já reparou que o mundo se divide em sonhadores e realistas? Eu sou sonhadora, e você? O mundo é cheio de cor para mim, transpira esperança e exala perseverança. Vem sendo bombardeado de tanto lixo! E continua forte e resistente. Não é? É igual a coração de quem ama, de quem acredita em amor. E ainda tem idiotas em todos lugares, prontos para destroçar doces corações. Coração partido não tem remédio não, viu, moço? Às vezes, tempo nenhum é capaz de curar. Você já amou? Eu já. Amei sim. Foi lindo enquanto durou. Depois disso fiquei numa baita ressaca amorosa, dessas que só livros, muito café e música pode curar.
O garçom iria me olhar desinteressado.
— É só o café, moça? — ele perguntaria.
Eu suspiraria, cansada de pessoas sem inspiração, de olhos que não podem ver e de almas em branco.
— É — seria minha resposta. — É só o café sim. 





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